terça-feira, 25 de agosto de 2009




AQUARELA

Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo...

Corro o lápis em torno
Da mão e me dou uma luva
E se faço chover
Com dois riscos
Tenho um guarda-chuva...

Se um pinguinho de tinta
Cai num pedacinho
Azul do papel
Num instante imagino
Uma linda gaivota
A voar no céu...

Vai voando
Contornando a imensa
Curva Norte e Sul
Vou com ela
Viajando Havaí
Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela
Branco navegando
É tanto céu e mar
Num beijo azul...

Entre as nuvens
Vem surgindo um lindo
Avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo
Com suas luzes a piscar...

Basta imaginar e ele está
Partindo, sereno e lindo
Se a gente quiser
Ele vai pousar...

Numa folha qualquer
Eu desenho um navio
De partida
Com alguns bons amigos
Bebendo de bem com a vida...

De uma América a outra
Eu consigo passar num segundo
Giro um simples compasso
E num círculo eu faço o mundo...

Um menino caminha
E caminhando chega no muro
E ali logo em frente
A esperar pela gente
O futuro está...

E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença
Muda a nossa vida
E depois convida
A rir ou chorar...

Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vamos todos
Numa linda passarela
De uma aquarela
Que um dia enfim
Descolorirá...

Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
(Que descolorirá!)
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo
(Que descolorirá!)
Giro um simples compasso
Num círculo eu faço
O mundo
(Que descolorirá!)...

Composição: Toquinho / Vinicius de Moraes / G.Morra / M.Fabrizio

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Homenagem à Raul Seixas



Enquanto você
Se esforça pra ser
Um sujeito normal
E fazer tudo igual...

Eu do meu lado
Aprendendo a ser louco
Maluco total
Na loucura real...

Controlando
A minha maluquez
Misturada
Com minha lucidez...

Vou ficar
Ficar com certeza
Maluco beleza
Eu vou ficar
Ficar com certeza
Maluco beleza...

E esse caminho
Que eu mesmo escolhi
É tão fácil seguir
Por não ter onde ir...

Controlando
A minha maluquez
Misturada
Com minha lucidez
Eeeeeeeeuu!...
Controlando
A minha maluquez
Misturada
Com minha lucidez

Vou ficar
Ficar com certeza
Maluco beleza
Eu vou ficar
Ficar com certeza
Maluco beleza
Eu vou ficar
Ficar com toda certeza
Maluco, maluco beleza...

(Composição: Claudio Roberto/Raul Seixas)


"Ninguém morre. As pessoas despertam do sonho da vida"
Raul Seixas


terça-feira, 11 de agosto de 2009

(Foto: Josoé de Carvalho)

Ontem foi meu aniversário, aguardei ansiosamente quatro parabenizasses, porém uma delas falhou me deixando chateado, angustiado e com muitas saudades ao mesmo tempo.
Passei o dia olhando na caixa do correio confiscando o telefone e a "caixinha de recados virtual" e nada, pensei por alguns instantes que fosse uma brincadeira (já que desta vez não tinha sido a primeira a desejar felicidades querendo assim ser a ultima), mas certamente não ocorreu isso.
Peguei todas as antigas cartas e reli (coisa que eu só fazia quando a saudade apertava), mas desta vez o ritual foi diferenciado, resolvi abrir as cartas que eu havia escrito e não as enviado, notei que sempre começava dizendo o quanto ela é importante para mim e terminava assim:

Saudosamente me despeço- "Nunca se esqueça de seus verdadeiros amigos"

[...]

Certamente não sei explicar o que eu sinto.







Não quero ver a árvore que sela a nossa amizade, pois desta vez ela deve estar com as flores caindo e com os galhos acinzentados.
Quero apesar de difícil manter a imagem na mente de uma linda árvore frondosa e cheia de flores.